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Coletes amarelos: um jornalista perante a justiça

media Paris, no dia 20 de Abril durante o acto XXIII dos "coletes amarelos". REUTERS/Gonzalo Fuentes

Apesar de um certo recuo no número de manifestantes no acto XXIII da mobilização dos coletes amarelos este fim-de-semana, o Ministério do interior tendo registado cerca de 28 mil manifestantes a nível nacional contra um pouco mais de 31 mil na semana passada, continuam acesas as polémicas geradas neste Sábado com, por um lado, apelos ao suicídio pronunciados por alguns manifestantes contra polícias e, por outro, detenções de jornalistas consideradas arbitrárias pelos sindicatos da classe.

Ontem, a justiça anunciou ter aberto um inquérito depois de manifestantes terem apelado membros das forças da ordem ao suicídio durante a última mobilização dos "coletes amarelos" no centro de Paris. Estes apelos surgem num momento em que a polícia tem conhecido uma onda de suicídios sem precedentes, com 29 suicídios nesta corporação desde o começo do ano, depois de já 35 outros polícias terem tirado a própria vida em 2018.

Neste contexto, estes slogans não deixaram de ser condenados com veemência, nomeadamente pelo Ministro do interior Christophe Castaner mas também por figuras dos "coletes amarelos" como Jerôme Rodrigues, os sindicatos da polícia reclamando acções judiciais contra os referidos manifestantes.

Por outro lado, o jornalista independente Gaspard Glanz, que tinha sido preso no Sábado juntamente com outro colega -entretanto solto no próprio dia- enquanto estavam a efectuar a cobertura das manifestações na capital, teve de comparecer hoje no Tribunal de Paris para receber uma convocação a uma audiência em que terá de responder às acusações de "participação num grupo com intenção de cometer violências ou degradações" e "ultraje a pessoa depositária da autoridade pública". Mais pormenores aqui.

Rescaldo do acto XXIII da mobilização dos "coletes amarelos" 22/04/2019 ouvir

Num vídeo difundido nas redes sociais, vê-se o jornalista, durante as manifestações, a acusar as forças da ordem de o ter visado com uma granada de dispersão e mostrar o dedo do meio aos polícias depois de um deles o empurrar.

Há relatos também de vários jornalistas feridos enquanto estavam a cobrir as manifestações nomeadamente em Toulouse, no sudoeste do país, ou aqui em Paris, onde um fotógrafo da Agência France-Presse indica ter recebido uma granada lacrimogénea entre as pernas e ter sido agredido por um polícia. Relatos semelhantes a outros ocorridos em anteriores mobilizações dos "coletes amarelos".

Em comunicado, o sindicato dos jornalistas SNJ-CGT considerou que "o poder procura intimidar os jornalistas, impedindo-os de informar os cidadãos". O sindicato CFDT-jornalistas reclamou, por sua vez, que sejam abertos inquéritos internos pela inspecção geral da polícia sobre estas ocorrências e que os seus resultados sejam tornados públicos.

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.