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Moçambicana ajuda refugiados venezuelanos na Colômbia

Por
Moçambicana ajuda refugiados venezuelanos na Colômbia
 
Vitória da Conceição Ginja, directora-adjunta do Programa Mundial Alimentar (PAM) na Colômbia. RFI

Vitória da Conceição Ginja é directora-adjunta do Programa Mundial Alimentar (PAM) na Colômbia desde 2016, ano em que foi assinado o Acordo de Paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Apesar disso, Vitória afirma que a crescente violência, sobretudo perpetrada por grupos dissidentes que não concordam com o pacto, compromete as acções humanitárias.

Honestamente, nunca pensei que a complexidade das crises na Colômbia fosse tão forte. É verdade que após a assinatura do Acordo de Paz estávamos todos muito felizes porque poderíamos finalmente começar a trabalhar na agenda de desenvolvimento pós-conflito. Infelizmente, não é isso que está sucedendo em várias partes do país”, lamenta.

Os assassínios de lideranças de movimentos sociais têm sido uma constante no noticiário colombiano, muitas vezes ligados à desmobilização de territórios antes dominados pelas FARC.

Todos os dias há alguma nova acção violenta, o que obriga muitas comunidades a abandonarem seus locais de vivência, obrigadas a confinar-se, sem acesso a alimentos. Além disso, não podem produzir porque são obrigadas a deixar as terras onde estavam, realidade que afecta sobretudo mulheres e jovens”, relata Vitória.

PAM assiste deslocados colombianos e refugiados venezuelanos que afluem à Colômbia. RFI/Rafael Belincanta

Migrantes venezuelanos

Além do serviço humanitário para os colombianos deslocados, o PAM procura entregar alimentos também aos venezuelanos. Desde o início da crise na Venezuela, mais de 4 milhões de pessoas deixaram o país vizinho e a maior parte encontrou refúgio na Colômbia.

De acordo com a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), mais de 1,3 milhões de venezuelanos vivem hoje em território colombiano, a maioria em pequenos centros urbanos próximos à fronteira.

Nessas áreas, o PAM em parceria com outras organizações e governo, garante duas refeições diárias aos refugiados nos 13 refeitórios no Estado de fronteira de La Guajira, nos quais são servidas 28 mil refeições diariamente.

Esse número vem crescendo paulatinamente com o aumento da população venezuelana imigrante e, como estamos perto da fronteira, o fluxo é permanente. A população migrante venezuelana é a nossa prioridade, com preferência às mães lactantes e gestantes e crianças menores de 5 anos que são a maioria, assim como a população vulnerável de colombianos retornados”, explica Sandra Ribeira, coordenadora geral da Fundação Guajira Naciente.

PAM assiste deslocados colombianos e refugiados venezuelanos que afluem à Colômbia. RFI/Rafael Belincanta

Os pedidos de ajuda alimentar aumentam, seja por parte de venezuelanos assim como de colombianos retornados, o que torna a emergência perene.

As solicitudes aparecem com muita, muita frequência. Podem aparecer dois ou três pedidos de assistência no mês, mas nem sempre podemos responder por falta de recursos. Neste momento, tenho essa responsabilidade adicional de providenciar suporte aos escritórios de campo nas negociações com os governos e no processo de mobilização de recursos”, relata Vitória.

A questão orçamental preocupa o novo diretor do PAM na Colômbia, Carlo Scaramella, já que somente 50% da verba para 2019 foi angariada.

A comunidade internacional, sobretudo a Europa, deveria ser mais generosa com a Colômbia diante do grande trabalho de acolhimento que o país está a realizar. Actualmente, assegurar a assistência humanitária para um país como a Colômbia significa garantir também a estabilidade do Estado”, adverte.

Ouça a reportagem feita na Colômbia por Rafael Belincanta.


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