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Mundo

Erdogan na Casa Branca

media O Presidente Donald Trump recebe na Casa Branca o seu homólogo turco Recep Tayyip Erdogan REUTERS/Kevin Lamarque

O Presidente Donald Trump recebe hoje na Casa Branca o seu homólogo turco Recep Tayyip Erdogan, na mesa o apoio americano às milícias sírias curdas e a extradição de Fethullah Gülen.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan está hoje na Casa Branca em Washington, onde será recebido pelo seu homólogo americano Donald Trump, este primeiro encontro entre os dois polémicos presidentes está a gerar alguma expectativa, porque na mesa estão dois temas difíceis.

Por um lado, o apoio americano às milícias sírias curdas, na guerra contra o Daesh, há muito que os curdos sírios são o principal aliado dos americanos na guerra contra o auto-denominado Estado islâmico no norte da Síria, e há dias o Pentágono anunciou que iria agora armar directamente estas milícias - até agora só tinha dado apoio logístico, e muita cobertura aérea.

José Pedro Tavares, correspondente em Ancara 16/05/2017 ouvir

As milícias curdas sírias são afiliadas do PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, separatista, que luta há décadas com o regime de Ancara e é considerado uma organização terrorista por Ancara, pela União Europeia e por Washington, e os turcos não aceitam que os EUA apoiem uma organização terrorista (neste caso um afiliado do PKK) junto à fronteira turca para lutar contra outra - Daesh.

Mas no Pentágono os militares americanos consideram que os curdos sírios - um dos poucos grupos da oposição armada que é laico - são a melhor opção para lutar contra os jihadistas – de fato assim tem acontecido no terreno, e apostam neles para montar a tão ansiada ofensiva sobre Raqqa, a capital do Estado Islâmico.

Ancara ameaça romper com a aliança de décadas com os Estados Unidos

Esta reunião vai ser um ponto final, não uma virgula”, disse Erdogan antes de embarcar para Washington, “Já expusemos as nossas posições, vou tentar convencer Trump uma última vez. Se aceitarem continuaremos a trabalhar como aliados, se não vamos pelo nosso caminho sozinhos”, disse Erdogan.

Hoje a imprensa pró-governamental turca acusava os EUA de “traição” e ouviam-se mesmo algumas vozes que pediam a saída da Turquia da NATO.

Outro tema espinhoso em cima da mesa é a extradição de Fethullah Gülen, o líder islâmico exilado nos Estados Unidos desde 1999, que o governo turco acusa de estar por trás do falhado Golpe de Estado militar no passado verão.

Não é provável que Washington aceda ao pedido turco, pelo menos para já, até porque a purga que se seguiu ao putsch tem sido desproporcionada, cega, e arbitrária – já foram detidas mais de 50,000 pessoas, e outras 130,000 perderam os seus empregos ou foram suspensas. E por entre várias evidências de tortura para com os detidos associados ao falhado golpe.

Vários países tem optado por não colaborar com as autoridades turcas - a Alemanha por exemplo concedeu asilo politico a vários militares e diplomatas turcos que estavam nas listas negras e Washington deve seguir a mesma linha - para além de que Gülen é um trunfo nas mãos da administração americana enquanto permanecer nos EUA.

Prevêem-se, pois, negociações muito difíceis hoje em Washington – Erdogan deverá voltar de mãos a abanar, resta no entanto  saber qual é a formula que os dois irão encontrar para salvar a face deste encontro entre dois líderes fortes e pouco consensuais.

 

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.