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Brasil

Especialista na França critica recesso do Congresso Nacional no Carnaval

media Imagem do palácio do Planalto em Brasília AnneMarieBr/ Wikimedia commons

Por decisão do novo presidente do Senado, Renan Calheiros, eleito apesar das acusações dos crimes de peculato, falsidade ideológica e utilização de documentos falsos, as sessões de quinta e sexta, logo após a quarta-feira de cinzas, não terão votações. Mesmo sem trabalhar, os deputados e senadores continuarão a receber salário. Para Alfredo Valladão, professor da Universidade Sciences Po-Paris, no Brasil, "resolver a questão da corrupção é uma das chaves para a modernização."

No Brasil, é consenso dizer que o ano começa depois do Carnaval, e o Congresso não escapa à regra. A diferença é que, neste ano, o recesso de duas semanas do legislativo, o maior em relação a outros setores, sucede a polêmica eleição de Renan Calheiros à presidência da casa, trazendo novamente à tona o tema da corrupção. Acusado de desvio de dinheiro público, falsidade ideológica e uso de documento falso, a eleição de Calheiros foi alvo de diversas manifestações em todo o país e mobilizou as redes sociais, onde cada internauta, à sua maneira, achou uma forma de contestar a escolha do congressista. "A corrupção no país se torna cada vez mais insuportável. É um escandâlo eleger Renan Calheiros depois do processo do mensalão", diz Alfredo Valladão, professor da Universidade Sciences Po, em Paris.

O mensalão foi acompanhado como uma verdadeira novela no país, protagonizada pelos réus e os ministros do Supremo Tribunal Federal, que se transformaram em celebridades nacionais. De acordo com o especialista brasileiro, depois do processo, o público amadureceu, e descobriu que "era possível atacar os grandes." Dentro desta visão, diz, a eleição de Renan Calheiros é considerada como um retrocesso. Algo quase inverossímil aos olhos de uma população tarimbada por meses de um julgamento que teve repercussão internacional, considerado como um marco contra a corrupção.

"Corrupção administrável"

"Depois do mensalão, eleger Calheiros é como cuspir na cara do público. Essa ideia de que no Brasil vale tudo e de que a impunidade impera é revoltante, e por isso o processo foi importante. Ninguém acreditava que haveria culpados."A verdade, diz, é que a sociedade brasileira mudou. O mensalão é também resultado da emergência de uma opinião pública mais esclarecida e de uma classe média consumidora, que determina os rumos da economia. "Cada vez um número maior de brasileiros está pagando impostos e tem uma massa maior de pessoas preocupada com os gastos públicos, a falta de serviços, e querendo saber para onde vai o dinheiro público", diz Valladão. Essa mudança, crucial, explica, vem da transformação de uma sociedade que durante décadas se acostumou a um estado paternalista, e viveu dependente dos subsídios do governo.

Hoje o contexto mudou, e o papel de potência econômica exige do país uma ‘corrupção administrável’, diz. "A corrupção existe em todos os lugares. A questão primordial é o custo desta corrupção", explica o especialista. Segundo ele, esta é a diferença entre o Brasil e outros países como a França ou Alemanha, onde certas práticas acabam tendo uma incidência relativa em termos globais. "Não se multiplica o custo de uma obra pública por três ou quatro, por exemplo", declara. De acordo com ele, a corrupção existe, mas a impunidade é menor, e voltar à cena política representa um verdadeiro risco. "O Brasil fez muitos avanços, e agora uma das chaves para uma outra modernização é a questão da corrupção 'possível'',conclui.
 

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.